Projeto Carbono das Nascentes do Xingu

O Projeto Carbono das Nascentes do Xingu realiza dois tipos de ação: restauração de vegetação nativa de matas ciliares degradadas em propriedades privadas na Bacia Hidrográfica do rio Xingu, no Estado do Mato Grosso, e comercialização do carbono que é removido da atmosfera com o crescimento da vegetação.

Essas duas atividades ajudam a promover diversos serviços ecossistêmicos, como, por exemplo,  benefícios climáticos, consequência direta da atividade de restauro devido a remoção de carbono, e a melhoria na qualidade dos recursos hídricos devido ao reflorestamento que aumenta a conectividade de manchas de vegetação e gera corredores ecológicos. Dessa forma, a biodiversidade local é ampliada o que proporciona às comunidades do entorno oportunidades de aumento de geração de renda por meio da comercialização de sementes, realizada via Associação Rede de Sementes do Xingu.

O objetivo do Projeto Carbono das Nascentes do Xingu, parte do PoA Xingu, é remover CO2 da atmosfera pelo período de 30 anos. As atividades de restauro se inserem na Campanha ‘Y Ikatu Xingu, implantado na região das cabeceiras do rio Xingu com o propósito de proteger e recuperar as águas do Xingu e dos seus formadores. Trata-se de uma campanha compartilhada entre diferentes atores sociais – agropecuaristas, produtores familiares, populações indígenas, organizações da sociedade civil, prefeituras, entre outros – que tem responsabilidade compartilhada, porém diferenciada, com relação à proteção das águas do Xingu. O lema da campanha é que atores sociais antagônicos, que até recentemente não dialogavam, trabalhem juntos para um objetivo comum. Esse pode ser considerado um dos principais benefícios sociais do projeto, porém não é o único.

A promoção do restauro florestal das margens de rios e áreas alagadas tem um grande benefício também ambiental  pois promove a proteção e recuperação dos bens e serviços ambientais ligados à água, devido ao aumento da conectividade da paisagem em uma área hotspot de biodiversidade, ecótono de dois biomas importantes – cerrado e Amazônia, que se encontram sob forte pressão das atividades agropecuárias.

A parceria com a Rede de Sementes do Xingu é fundamental para esse processo. Formada a partir da campanha, a Rede fornece a matéria prima aos produtores rurais para colocar em prática as atividades de restauro florestal. É uma iniciativa que valoriza a floresta em pé pois a comercialização das sementes coletadas gera renda para indígenas e pequenos produtores familiares, muitos deles mulheres.

Certificação CCB

O projeto começou em 2011 com os primeiros preparos do solo e os primeiros plantios aconteceram no período de chuvas entre final de 2011 e começo de 2012. Desde então já foram restaurados 411 hectares de matas ciliares degradadas na área de abrangência do projeto.

Com o intuito de conferir maior credibilidade ao projeto Carbono das Nascentes do Xingu, o mesmo foi submetido à certificação CCB, que consiste em avaliação de terceira parte sobre os benefícios ao clima, às comunidades e à biodiversidade decorrentes das ações do projeto.

No início do projeto, e depois a cada cinco anos, auditores visitam as áreas plantadas a fim de verificar se os benefícios climáticos, à biodiversidade e às comunidades estão se realizando conforme indicado na concepção do projeto. O Imaflora é a instituição credenciada pelo CCB que está auditando o Projeto Carbono das Nascentes do Xingu.

Resultados da verificação dos primeiros 5 anos

Neste momento o projeto acaba de passar pelo monitoramento dos primeiros 5 anos e a auditoria do Imaflora, para checar os resultados, será realizada em breve. Os principais objetivos que foram alcançados para o clima, para a biodiversidade e para as comunidades são descritos a seguir.

Para medir os benefícios climáticos, foram estimadas as variações nos estoques de carbono presentes nos reservatórios de biomassa viva acima e abaixo do solo das árvores e arbustos dentro da área do projeto. Para tanto, foram montadas dezesseis parcelas de 1.000 m2 cada uma, onde foi realizado o inventário florestal e a mensuração do carbono.  A metodologia determina que todas as árvores com diâmetro mínimo de 4,8 cm em uma parcela de amostra são medidas e a biomassa de cada árvore é estimada. Foi realizado o plaqueteamento de todos indivíduos que tiveram suas medidas coletadas, os indivíduos foram numerados sequencialmente por parcela e tiveram as numerações anotadas em suas respectivas placas. No total, foram mensurados 1362 indivíduos arbóreos, com diâmetros variando de 4,8cm a 23,9cm, alturas totais entre 1,9m a 13,5m e pertencentes a 48 espécies identificadas, 4 classificadas apenas com gênero, 1 classificada apenas com família e 1 não identificada. Estimou-se que até o momento o projeto removeu 9.707 toneladas de CO2 da atmosfera, valor muito superior ao previsto no plano de concepção do projeto, que era de 2.000 toneladas de CO2 nos primeiros 5 anos.

Os impactos sociais foram medidos sobre os atores socias relevantes identificados no plano de concepção do projeto. Foram identificados impactos positivos sobre os 10 proprietários rurais cujas propriedades possuem áreas em processo de restauração no âmbito do projeto, sobre os 180 indígenas coletores da Rede de Sementes do Xingu, sobre os 70 agricultores familiares coletores da Rede de Sementes do Xingu, sobre a Associação Xingu Sustentável e sobre as prefeituras dos principais municípios onde há atuação da campanha Y Ikatu Xingu e viveiros de plantas. De  forma quantitativa, mediu-se que as aquisições de sementes para as atividades de restauro do projeto somou, no ano de 2013, 14,5 toneladas e R$ 232.000 de receita para os coletores, o que representa aproximadamente 66% de toda a semente comercializada pela Rede naquele ano (22 toneladas) e 71% da receita total gerada (R$ 326.000). No período 2016-2017 as aquisições de semente pelo projeto totalizaram 7,2 toneladas e geraram R$ 247.000, o que representa 15% de toda a semente comercializada nestes anos (48 toneladas) e 23% da renda total gerada (que foi de R$ 1.056.000).

Os impactos sobre a biodiversidade foram medidos por meio da identificação de espécies vegetais regenerantes na área do projeto, que não foram plantadas pelo projeto, e por meio do registro das espécies animais ou indícios (rastros, pegadas, fezes, etc.) encontrados no momento dos monitoramentos. No monitoramento de 5 anos foram identificadas 114 espécies arbóreas nas parcelas de monitoramento, sendo que 59 não foram introduzidas pelo projeto, e uma concentração de 851 indivíduos por hectares. Foram também identificados, nas 16 parcelas, 23 registros de 8 espécies animais: Anta (7), ninhos de passarinho (6), catetos (3), tatu (1), jacu (1), marimbondo (2),  veado (1) e formiga (2).

Acesse o relatório quinquenal sobre os benefícios climáticos (2012 a 2017) AQUI.

Para mais informações escreva para: carbononascentesdoxingu@socioambiental.org