Associação Rede de Sementes do Xingu discute e define os planos para 2015

Diretoria, líderes de grupo e equipe técnica da Associação se reuniram para planejar os trabalhos da Rede para este ano de 2015

A Associação Rede de Sementes do Xingu (RSX) desenvolve um trabalho inovador na produção e comercialização de sementes florestais e, por ser pioneiro, os desafios também se renovam de ano em ano. Para enfrentar os desafios, no dia 26 de fevereiro, diretoria, líderes de grupos e a equipe técnica da Associação, se reuniram em Canarana no Mato Grosso, para planejar os trabalhos para o ano de 2015.

Uma das preocupações da RSX é cumprir os compromissos, atendendo a demanda dos compradores e garantindo o cumprimento dos compromissos com coletores. A cada início de ano, os 420 coletores, distribuídos pela região Xingu Araguaia, estimam o potencial de produção dentro das áreas de coleta. O potencial é enviado para a central administrativa da Rede em Canarana, que também recebe os pedidos dos compradores. A equipe técnica então ajusta a demanda com a oferta e cada coletor recebe uma lista com o pedido das sementes que deve entregar. A coleta da maioria das espécies acontece no segundo semestre de cada ano e a entrega é realizada até o final de dezembro.

Apesar da experiência e conhecimento dos coletores sobre a floresta, as mudanças no clima e o uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras de soja e de milho, tem impactado diretamente o planejamento da produção. Mudanças no tempo da frutificação e na quantidade da produção de algumas espécies, são uns dos principais desafios para se planejar a quantidade e qualidade de sementes entregues. Para minimizar o problema, foi sugerido que seja feita dentro do grupo em que o coletor faz parte, uma revisão do potencial antes da entrega do mesmo à equipe técnica. Caso o coletor não consiga entregar o que foi solicitado, o mesmo tentará ser suprido dentro do próprio grupo, para garantir o pedido.

Na Terra Indígena Marãiwatsédé, por exemplo, o grupo das mulheres Xavante enfrenta outra dificuldade: a distância da aldeia em relação aos locais de coleta. Marãiwatsédé é a TI mais desmatada da Amazônia Legal. As matas que restaram após a desintrusão dos invasores ficam distantes da aldeia. A OPAN (Operação Amazônia Nativa) tem colaborado nestes deslocamentos apoiando atividades tradicionais, que além de promover o reconhecimento do território, também contribui para o desenvolvimento da coleta das sementes florestais durante essas atividades. A compreensão de pesos e medidas pelos indígenas, também é um desafio que está sendo enfrentado.

A parceria iniciada ano passado entre o ISA e a Unemat de Nova Xavantina no Mato Grosso mantém um laboratório para análise das sementes florestais. Com os testes, dados ainda em fase de prospecção de pesquisa, serão registrados e nortearão as formas de armazenamento. A partir de então, poderão ser feitos testes de umidade nas sementes antes delas serem estocadas. “É algo complexo, pois cada uma das 200 espécies tem características morfológicas, filogenéticas, ecológicas, fisiológicas, entre outras características, distintas umas das outras”, disse Dannyel Sá, técnico em pesquisa e desenvolvimento socioambiental do ISA.

A coleta de sementes tem gerado renda extra para centenas de famílias de agricultores familiares, moradores de cidades e indígenas. No final, o trabalho da Rede tem ajudado direta e indiretamente toda a população da região. Essas sementes têm contribuído para recuperar milhares de hectares de áreas degradadas na região.

Os participantes da reunião definiram as prioridades e planejaram atividades para 2015

Para melhorar o planejamento da coleta de sementes, estão programadas durante o mês de março, a realização de oito oficinas com grupos de coletores de terras indígenas e projetos de assentamento. Melhorar a qualidade das sementes também é prioridade da RSX e uma das medidas tomadas, é a realização de uma oficina para debater a qualidade das sementes no laboratório da Unemat em Nova Xavantina, entre maio e junho. Ao longo do ano, a Rede vai proporcionar intercâmbio entre coletores para troca de conhecimento e, em julho, o intercâmbio será entre os indígenas Xavantes e do Parque do Xingu. Os participantes da reunião também avaliaram a necessidade de fortalecer a liderança nos núcleos e, neste sentido, planejaram uma oficina em Porto Alegre do Norte. Por fim, definiram que a assembleia e o encontro geral da Rede em Nova Xavantina acontecerão no início de agosto.

(Por Rafael Govari – ISA)

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