Casa cheia: sementes nativas chegam de diversos pontos da região Xingu Araguaia

Logística da entrega de sementes para plantio passa por diversos caminhos do Mato Grosso

A partir do mês de setembro o movimento nas Casas de Sementes da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) passa a ser intenso. As três casas de armazenamento principais da rede localizadas na cidade de Canarana, Porto Alegre do Norte e Nova Xavantina, são responsáveis por receber as 19 toneladas em média de sementes nativas que chegam todos os anos dos diversos grupos de coletores da rede.

Só em 2018 foram 20 toneladas de 152 espécies diferentes. As listas de encomendas de compradores de todo Brasil começam a chegar em janeiro e só param em dezembro. ¨Durante o ano nós recebemos a demanda dos compradores e dividimos entre os coletores. Conforme o volume essa demanda é repartida em dois pedidos que acontecem em março, setembro, respectivamente. Esse ano foi atípico e tivemos ter o terceiro pedido no mês de outubro¨, conta Bruna Dayanna Ferreira, diretora da ARSX.

Muvuca de sementes nativas para plantio em áreas de restauração. Foto: Camila Grinsztejn

Responsável também pela área de comercialização das sementes, Bruna explica que a lista de pedidos que vai para os 27 grupos de coleta é uma relação entre a demanda e as espécies indicadas pelos técnicos do Instituto Socioambiental (ISA), com base nas listas de potencial enviadas pelos coletores, para assim compor a muvuca em cada local a ser plantado.  ¨A muvuca, que pode ser aplicada em biomas como o Cerrado e Floresta Amazônica, continua a ser nosso carro chefe, mas temos também venda no varejo para viveiristas, artesanatos e cosméticos¨, conta.

Com 568 coletores espalhados pela região da bacia do Rio Xingu Araguaia a ARSX se divide em grupos de entrega de sementes conforme a localização. O território dos coletores envolve 21 municípios, 1 reserva extrativista e 17 aldeias, exigindo diferentes formas de entrega.

Mistura de sementes com variedade de espécies. Foto: Tatiane Ribeiro

¨Os que estão longe das casas de sementes como os grupos da BR-163, das cidades de Cláudia e Diamantino, enviam as sementes via transportadora ou por ônibus da Viação Xavante. Em alguns assentamentos, as organizações parceiras como o ISA, Organização Amazônia Nativa (OPAN) e Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção (ANSA), vão até lá buscar. Há ainda os que moram a cerca de 50 km e entregam de veículo próprio e os coletores urbanos que também entregam diretamente nas casas¨, explica Cláudia Araújo, diretora da ARSX.

Os coletores do Território Indígena do Xingu (TIX) contam com casas de pré-armazenamento e ainda precisam se preocupar em como enviar as sementes via barco. ¨Nesse caso a dificuldade aumenta porque é preciso tomar cuidado para que as sementes sejam entregues sem perder a qualidade que pode acontecer, por exemplo, caso peguem chuva¨, conta a diretora.

Gestão compartilhada

Claudia Araújo, diretora da ARSX explica sobre funcionamento da rede. Foto: Eder Ilber

Os grupos que são formados conforme a proximidade geográfica, contam com a ajuda de um elo, que é a pessoa responsável pela organização da divisão individual dos pedidos,  assim como para o pagamento individual dos coletores. ¨Primeiro eles pesam as sementes de cada um e depois misturam e enviam para a casa de sementes conforme o pedido¨, conta Cláudia.

Nas casa de sementes cada entrega passa por um processo de catalogação conforme a espécie, a data de coleta e o nome do grupo, informações que vão para o banco de dados acessado pelos responsáveis pelas Casas de Sementes, a equipe da administração e os técnicos de plantios do ISA.

Em 2018, ARSX integrou à equipe das casas dois novos jovens. Denise Santos da Costa, 20, Marcos Vinicíus Silva Lima, 21, que cuidam das casas de Porto Alegre do Norte e Nova Xavantina, respectivamente. ¨Essa experiência tem me ajudado a aprofundar meus conhecimentos na área em que estou em formação, que é a biologia¨, afirma Marcos. ¨Para mim a dificuldade é ainda os registros no banco de dados, mas para o ano que vem a ideia será implantada outra plataforma mais fácil de interagir¨, conta Denise.

Os jovens da ARSX responsáveis pelas Casas de Sementes de Porto Alegre do Norte e Nova Xavantina.

Para 2019, a Casa de Sementes de Canarana vai contar com a entrada do engenheiro florestal João Carlos Pereira que irá compor o time junto com com Natanael Lopes via contratação do ISA, parceiro da iniciativa. ¨Quando comecei a trabalhar com a rede eu não conhecia nada de sementes. Hoje é meu maior prazer. Chegam algumas que eu não conheço e passo a imaginar como daquela semente bonita sai uma árvore. Assim quando olho as árvores hoje eu já penso o  quanto ela tem valor em pé e não derrubada¨, diz Natanael.

 

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