Diálogo sobre a preservação das águas no Araguaia reúne diferentes atores da região

Encontro frisou pontos importantes para conciliar produção e cuidado com as águas

A cidade de Nova Xavantina foi palco da Reunião Pública de Sensibilização e Defesa das Áreas Úmidas do Araguaia, que aconteceu no dia 31 de agosto de 2018. Organizado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio da Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e Ordem Urbanística, o evento reuniu cerca de 400 pessoas de diversos setores da sociedade.

Com o objetivo de conscientizar a todos sobre a importância socioambiental da conservação do Pantanal do Araguaia e discutir sobres mecanismos de proteção judicial que podem ser implantados com base na valoração de danos ambientais, o debate contou com posições diferenciadas sobre a questão do que está sendo realizado e o que precisa ser feito para preservação do Pantanal do Araguaia, principalmente devido ao modelo de produção  e o avanço da soja na região.

João Carlos Mendes Pereira durante apresentação da ARSX. Foto: Liebe Lima

A Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) marcou presença por meio da fala de João Carlos Mendes Pereira, consultor que apresentou os dados de funcionamento da Rede. ¨As sementes comercializadas pela Rede contribuem para a restauração das áreas da Bacia Xingu-Araguaia, trabalho realizado por instituições parceiras, viveiristas e produtores rurais. Ao envolvermos agricultores, indígenas e produtores na cadeia de semente de árvores nativas, ajudamos a promover essa sensibilização¨, afirmou Pereira.

A mesa foi composta pelo Procurador-Geral de Justiça, Luiz Alberto Esteves Scaloppe,  o Secretário de Meio Ambiente do Estado, André Torres Baby, o representante da promotoria de Nova Xavantina, Wellington Petrolini Molitor, e o prefeito João Batista Vaz da Silva. Também estiveram presentes os prefeitos da cidades de Água Boa, Canarana, São Félix do Araguaia, Luciara entre  outros.

A professora da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), Beatriz Schwantes Marimon, foi a responsável por apresentar dados e explicações referentes a importância das áreas úmidas na preservação da sociobiodiversidade.

Cacique José Guimarães durante Reunião Pública de Sensibilização e Defesa das Áreas Úmidas do Araguaia. Foto: Liebe Lima

Também estiveram presentes várias caravanas como os retireiros do município de Luciara e  indígenas Xavante e Karajá. O cacique José Guimarães, da aldeia Ripá, povo Xavante, onde há coletoras da ARSX, reivindicou que cessem a destruição do Cerrado para que indígenas e não-indígenas não sofram consequências piores. Samuel Karajá, da Aldeia Santa Isabel, localizada na Ilha do Bananal (TO), complementou que os povos indígenas realizam uma grande contribuição na preservação da natureza mas que este trabalho não é reconhecido.

Os produtores rurais também foram representados por meio de sindicatos rurais, como, por exemplo, o Sindicato Rural de São Félix do Araguaia que apresentou informações sobre a preservação dos ambientes no contexto do agronegócio. Na ocasião, Scaloppe pontuou que os dados públicos relacionados ao desmatamento são alarmantes.

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