Expedição reúne indígenas, agricultores e especialistas de todo Brasil para troca de experiências no Mato Grosso

Trabalho pioneiro de restauração ecológica e Rede de Sementes do Xingu é destaque em evento

Percorrer os caminhos das sementes até as árvores que restauram áreas degradadas do Cerrado e Amazônia brasileira é a proposta da 3ª Expedição da Restauração Ecológica e da Rede de Semente do Xingu, organizada pelo Instituto Socioambiental (ISA) e Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX). A jornada de quatro dias irá acontecer entre 27 e 30 de setembro de 2018, partindo de Canarana (MT), e irá reunir cerca de 120 pessoas de todo o país.

Com dois focos distintos, essa edição vai fazer trajetos diferenciados para abranger os diversos aspectos da cadeia produtiva de sementes. Os grupos irão se encontrar no ponto de partida e chegada enriquecendo a troca de experiências entre os participantes. 

O grupo com foco na produção de sementes irá conhecer duas diferentes áreas de coleta, a de um assentamento rural e a da aldeia indígena do povo Xavante. Também terão a experiência de saber como os coletores beneficiam as sementes, onde e como são armazenadas e o trabalho de qualidade realizado na Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), em Nova Xavantina.

Já os interessados na restauração florestal visitarão áreas em processo de restauração, entre 1 e 12 anos de idade, na cidade de Canarana e Querência. Os plantios foram realizados via semeadura direta por meio da técnica conhecida como “Muvuca” com sementes fornecidas pela ARSX em parceria com o ISA.

Dispersão de sementes aladas em semeadura direta. Foto: Tui Anandi/ISA

O último momento da programação conta com a interação dos dois enfoques em um dia de visita e plantio na Fazenda Rancho 60, do grupo Agropecuária Fazenda Brasil (AFB), em Bom Jesus do Araguaia. ¨Será o momento de fazermos juntos uma muvuca de sementes para consagrar essa muvuca de pessoas que estão interessadas no trabalho que tem sido desenvolvido aqui na região¨, pontua Rodrigo Junqueira, do Conselho Curador da ARSX e coordenador do programa Xingu, do ISA. ¨Ao colocar a mão na massa os participantes estarão semeando a floresta do futuro em um ato simbólico para dar mais força e assim continuarmos a semear e a recompor vegetações nativas Brasil afora¨.

Para Bruna Ferreira, diretora da ARSX, é importante  divulgar o trabalho  que vem sendo realizado há 11 anos com quase 600 coletores no Mato Grosso, nas bacias do Xingu e Araguaia. ¨Somos a prova de que é possível gerar renda com a floresta em pé ao mesmo tempo que valorizamos o trabalho em rede, os saberes de assentados, indígenas e urbanos que cumprem a missão de preservar a floresta e o cerrado, ajudando a garantir assim água para todos.¨

Eduardo Malta, coordenador técnico de restauração florestal do ISA, aponta também que a expedição é um momento único em que vários atores podem se alinhar e assim ajudar a estruturar a cadeia da restauração.¨A partir da relação de confiança que é criada entre os setores envolvidos é possível realizar as primeiras movimentações de padronização de procedimentos que facilitarão a entrada de novos atores nessa cadeia, algo novo e com grande potencial de crescimento no Brasil.¨

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Parabéns, a floresta e os povos indígenas são um só !

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