História

A Associação Rede de Sementes do Xingu  Rede de Sementes do Xingu é uma rede de trocas e encomendas de sementes de árvores e outras plantas nativas das regiões do Xingu, Araguaia e Teles Pires. Com dez anos de existência, já foram viabilizados a recuperação de mais de 5 mil hectares de áreas degradadas na região da Bacia do Rio Xingu e Araguaia e outras regiões de Cerrado e Amazônia.Foram utilizadas 196 toneladas de sementes de mais de 220 espécies nativas. As sementes são coletadas e beneficiadas por 600 coletores, gerando uma renda de R$ 4,2 milhões repassadas diretamente para as comunidades.

As sementes e suas relações socioculturais, funções e características ecológicas unem agricultores familiares, produtores rurais, comunidades indígenas, pesquisadores, organizações governamentais e não governamentais, prefeituras, movimentos sociais, escolas e entidades da sociedade civil. Essa união se dá por meio da Rede de Sementes do Xingu, uma rede de desenvolvimento comunitário, que surgiu em 2007, a partir do crescimento da demanda por sementes para plantios de restauração na região, realizados, principalmente, via semeadura direta dentro da Campanha Y Ikatu Xingu. Na rede, os coletores organizam-se em grupos coletores, que unidos formam os núcleos coletores com diferentes organizações sociais, perfis e motivações.

Os grupos são formados por agricultores familiares, indígenas e viveiristas e passam, basicamente, por três fases: contato inicial com os procedimentos de oferta, encomenda, coleta, beneficiamento, armazenamento e identificação das sementes; organização interna do grupo; emissão de nota fiscal; controle de qualidade, estoque e logística de entrega ao comprador. Cada grupo ou núcleo possui um responsável, chamado de elo, que tem como funções básicas: registrar e divulgar as experiências na rede, gerir o estoque, a coleta, as encomendas e controlar a qualidade das sementes de seu grupo.

A rede visa disponibilizar sementes da flora regional em quantidade e com a qualidade que o mercado demanda; formar uma plataforma de troca e comercialização de sementes; gerar renda para agricultores familiares e comunidades indígenas e servir como um canal de comunicação e intercâmbio entre coletores de sementes, viveiros, ONGs, proprietários rurais e demais interessados por onde circule o conhecimento que valorize a floresta, o cerrado e seus usos culturais diversos. Para isso, ela busca criar espaços de diálogos, tais como: visitas, oficinas, reuniões, encontros regionais, além de publicações periódicas que divulgam os trabalhos em desenvolvimento.  Nesses espaços, estimulam-se as discussões sobre a localização, época de floração e frutificação das espécies; as técnicas de coleta, beneficiamento, armazenamento, germinação e quebra de dormência das sementes; as técnicas e evolução dos plantios.

Além disso, discute-se a contínua melhoria na estrutura e funcionamento, que envolve a comunicação entre os coletores, elos e compradores, a comercialização e trocas de sementes e a consolidação e gestão dos núcleos coletores, buscando a autonomia dos núcleos coletores através de um processo continuado e participativo de formação.

Infografico RSX 2