História

As sementes e suas relações socioculturais, funções e características ecológicas unem agricultores familiares, produtores rurais, comunidades indígenas, pesquisadores, organizações governamentais e não governamentais, prefeituras, movimentos sociais, escolas e entidades da sociedade civil. Essa união se dá por meio da Rede de Sementes do Xingu, uma rede de desenvolvimento comunitário, que surgiu em 2007, a partir do crescimento da demanda por sementes para plantios de restauração na região, realizados, principalmente, via semeadura direta dentro da Campanha Y Ikatu Xingu. Na rede, os coletores organizam-se em grupos coletores, que unidos formam os núcleos coletores com diferentes organizações sociais, perfis e motivações. Os grupos são formados por agricultores familiares, indígenas e viveiristas e passam, basicamente, por três fases: contato inicial com os procedimentos de oferta, encomenda, coleta, beneficiamento, armazenamento e identificação das sementes; organização interna do grupo; emissão de nota fiscal; controle de qualidade, estoque e logística de entrega ao comprador. Cada grupo ou núcleo possui um responsável, chamado de elo, que tem como funções básicas: registrar e divulgar as experiências na rede, gerir o estoque, a coleta, as encomendas e controlar a qualidade das sementes de seu grupo. A rede visa disponibilizar sementes da flora regional em quantidade e com a qualidade que o mercado demanda; formar uma plataforma de troca e comercialização de sementes; gerar renda para agricultores familiares e comunidades indígenas e servir como um canal de comunicação e intercâmbio entre coletores de sementes, viveiros, ONGs, proprietários rurais e demais interessados por onde circule o conhecimento que valorize a floresta, o cerrado e seus usos culturais diversos. Para isso, ela busca criar espaços de diálogos, tais como: visitas, oficinas, reuniões, encontros regionais, além de publicações periódicas que divulgam os trabalhos em desenvolvimento.  Nesses espaços, estimulam-se as discussões sobre a localização, época de floração e frutificação das espécies; as técnicas de coleta, beneficiamento, armazenamento, germinação e quebra de dormência das sementes; as técnicas e evolução dos plantios. Além disso, discute-se a contínua melhoria na estrutura e funcionamento, que envolve a comunicação entre os coletores, elos e compradores, a comercialização e trocas de sementes e a consolidação e gestão dos núcleos coletores, buscando a autonomia dos núcleos coletores através de um processo continuado e participativo de formação.  Em mais de nove anos de existência e cinco casas de sementes em funcionamento, a rede cresceu significativamente, tornou-se um reflexo da diversidade sociocultural da bacia do Xingu e uma referência de economia solidária de base florestal. No ano passado (2015), foram comercializadas 17 toneladas de sementes florestais de 120 espécies por 420 coletores de 17 municípios, gerando uma renda de 311 mil reais. Entre 2007 e 2015, a soma dos recursos gerados alcança exatamente 2,077 milhões de reais, vindos da comercialização de 153,5 toneladas de mais de 250 espécies florestais nativas da região Xingu Araguaia.

Infografico RSX 2