Rede de Sementes do Xingu vence prêmio por inovação em restauração florestal

A iniciativa foi escolhida entre 130 inscritos e levou o prêmio Desafio Ambiental, ação que quer fortalecer iniciativas de restauração ecológica nos biomas brasileiros

Na noite de ontem (21), a Associação Rede de Sementes do Xingu ganhou o prêmio Desafio Ambiental pelo trabalho inovador de produção comunitária de sementes nativas na Bacia do Rio Xingu e Araguaia.

Paulo Sodré (WWF), Rodrigo Junqueira (ISA), o cantor Lenine, Bruna Dayanna e Danilo Ignacio|Emmanuel Ponte

A iniciativa se consolidou como a maior rede de sementes nativas do Brasil, da qual participam 600 coletores indígenas, ribeirinhos, agricultores familiares e urbanos, produtores rurais, técnicos e parceiros. A premiação aconteceu no Rio de Janeiro (RJ) e contou com a presença da diretora da Associação, Bruna Dayanna Ferreira, do conselheiro Fiscal, Rodrigo Junqueira, e do consultor, Danilo Ignacio, que receberam o prêmio das mãos do cantor Lenine.

“É um reconhecimento muito importante para a Rede. Reconhecimento do trabalho que faz a diferença, valoriza a floresta e gera recursos para as comunidades locais no Xingu e Araguaia. Além disso, o prêmio abre um leque de novas possibilidades, novos mercados e novas parcerias institucionais”, afirmou Bruna.

Com dez anos de existência, a Rede acumula inúmeras histórias, desafios e vitórias. Ao todo, já foi viabilizada a recuperação de mais de 5 mil hectares de áreas degradadas, utilizando 75 toneladas de sementes nativas, coletadas e beneficiadas por 450 coletores. Um total de R$ 2,5 milhões já foi repassado para as comunidades.

O prêmio, promovido pelo WWF-Brasil, em parceria com Impact Hub, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Ministério do Meio Ambiente, busca identificar e fortalecer experiências inovadoras e modelos de negócio e de produção que promovam a restauração florestal. A Rede foi escolhida entre 130 inscritos.

Foram três dias de imersão no Rio de Janeiro junto a sete iniciativas finalistas, com projetos na Caatinga, Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado. A vivência teve como foco o desenvolvimento institucional das organizações e os desafios de transformar os projetos em empreendimentos sustentáveis.

“Com o prêmio, as sementes nativas ganham um destaque na cadeia de restauração ecológica. Para atender a restauração em larga escala o planejamento precisa começar na produção das sementes, o que muitas vezes é negligenciado. Além de promover a participação de comunidades para geração de benefícios múltiplos”, apontou Danilo Ignacio, consultor da Rede.

Para além do prêmio, a Rede ganhou uma mentoria dos organizadores e apoio na divulgação para fortalecer os negócios da iniciativa.

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