A força social da rede

ARSX promove rodadas de diálogos entre grupos coletores

O funcionamento de uma rede envolve um modo de operar diferenciado com diálogos e gestão cada vez mais compartilhada. Como negócio social inovador que promove a conservação socioambiental e tem como missão também o papel de inclusão social, a Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) acompanha em campo o desenvolvimento do trabalho dos  coletores responsáveis pela produção de sementes. São as chamadas Rodadas de Avaliação que acontecem de uma a duas vezes por ano, onde o trabalho técnico se mistura com o trabalho de base fortalecendo as relações entre as pessoas.

Em 2019 as rodadas já se iniciaram e ao longo dos próximos meses vão passar pelos 27 grupos de coletores que estão espalhados na bacia Xingu Araguaia. Apesar da logística complexa, Claúdia Araújo, diretora da ARSX e responsável pelos grupos, percorrerá cerca de dez cidades diferentes para ouvir de cada um as dificuldades e conquistas do ano passado e alinhar o planejamento do ano que se inicia.

Grupo de coletoras do Projeto de Assentamento (PA) Jaraguá e equipe da ARSX. Foto: Tatiane Ribeiro

¨É uma das principais ocasiões onde temos a troca de saberes, ou seja, eu levo informações mas também recebo muito deles. Assim percebemos juntos os avanços, os entraves e fazemos a gestão da qualidade das sementes e também dos conflitos,¨conta Claudia. Desde janeiro, a diretora já percorreu quatro grupos de coletores tanto de indígenas como de agricultores e nas próximas semanas deve terminar a primeira rodada do ano.

Força feminina

O primeiro grupo a ser visitado foi o dos Xavantes, na aldeia Ripá, da Terra Indígena Pimentel Barbosa, em Canarana. Formado por 23 coletores, grande parte mulheres, a reunião foi um espaço onde eles puderam falar como foi o ano anterior de coleta e o que esperam para esse ano. Como as coletoras se comunicam em sua língua original, Claudia tem a ajuda do jovem Abeldo Vi Rãwe, que trabalha na organização e é o tradutor oficial do grupo.

A segunda visita também é um exemplo da força feminina da ARSX.  Quatro irmãs animam o grupo de coletores do Projeto de Assentamento (PA) Jaraguá, em Água Boa. Participantes da rede há quase dez anos elas contam como passaram a observar melhor a natureza ao se tornarem coletoras de sementes. ¨A gente caminha já olhando para cima que é para saber se as árvores vão produzir¨, comenta Clerizia Bernadete Faria Pantelão, uma das coletoras.

Rede da diversidade

¨Cada grupo tem um jeito diferente de funcionar. Então vemos se o que aquele grupo fez deu certo, se pode servir de exemplo para outro¨, explica Cláudia. ¨Para nós é muito importante analisar todas as variáveis, como idade dos coletores, estado da saúde, o ambiente ao redor, tudo que possa interferir na produção.¨

Apresentação na Rodada de Avalição no Projeto de Assentamento (PA) Manah. Foto: Denise Santos

Para a diretora, que tem dez anos de experiência com comunidades devido ao seu trabalho na Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização parceira da rede, a ideia é incrementar ainda mais o trabalho de base, aumentando a presença e acompanhamento dos grupos. ¨Quanto mais próximos deles mais conseguimos ajudar que se fortaleçam.¨

Entre os coletores há os chamados ¨elos¨, que são os responsáveis por questão organizacionais e administrativas de cada grupo. Cláudia explica que muitos têm dificuldade em anotar todas as informações necessárias mas que a atividade é incentivada para que que eles tenham cada mais mais autonomia. ¨Fizemos algumas atividades para envolver os mais jovens nesse trabalho mas ainda há a problemática da permanência na terra, que é algo enfrentado por todos os movimentos do campo¨, afirma.

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